Romancista brasileira, Ruth Guimarães, é a homenageada da 8ª edição da FlinkSampa

Com atividades nos dias 19 e 20 de novembro, a Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra será completamente digital e integrará a programação da Virada da Consciência.

A 8ª edição da FlinkSampa, Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra, acontece nos dias 19 e 20 de novembro, integrando a programação da Virada da Consciência em comemoração à Semana da Consciência Negra. Realizada este ano em um ambiente completamente digital, pela Universidade Zumbi dos Palmares e pela ONG Afrobras, a edição de 2020 traz como grande homenageada Ruth Guimarães.

A Flink apresenta como pano de fundo dos debates literários a trajetória da poetisa, romancista e cronista para celebrar o centenário desta “Mulher, negra, pobre e caipira – eis as minhas credenciais”, como ela própria descreveu em um discurso na Bienal Nestlé de Literatura, em 1983.

“Trazemos para esse debate, na literatura, olhares diferentes para pensar em como promover a igualdade racial e, também, valorizar autores negros de grande representatividade no país. A Flink é, mais uma vez, a oportunidade de mergulhar em conteúdos riquíssimos para despertar novas visões a partir do âmbito literário”, argumenta o professor e reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente.

Formada em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), Ruth foi a primeira escritora negra brasileira a obter projeção nacional, a partir do lançamento de seu primeiro livro: o romance “Água Funda”, em 1946. Por suas obras cheias de representatividade cultural e todo seu trabalho de resgate da linguagem bem brasileira, em 2008 (aos 88 anos, seis antes de sua morte), Ruth foi eleita para ocupar a cadeira número 22 da Academia Paulista de Letras.

A 8ª edição da FlinkSampa tem como patrocinadores as empresas Coca-Cola, EMS, Febraban, Itaú e Santander.

Programação
Com o objetivo de difundir e dar mais visibilidade à literatura afro, trazendo reflexões sobre mudanças na forma de consumi-la e acessá-la, a abertura da FlinkSampa, que acontece na quinta-feira (19), será feita pelo reitor da Universidade, José Vicente, e moderada pelo escritor, roteirista, professor e curador da Festa, Tom Farias.

“A Flink dá espaço e voz a quem escreve e a quem escreveu a história negra. A literatura afro-brasileira tem grandes nomes! Esse ano, lembramos o centenário de uma das maiores escritoras de nosso país, Ruth Guimarães, que, mesmo após sua morte, ainda possui obras a serem lançadas e com muito a se dizer”, comemora o curador.

No decorrer dos dois dias de atividades, mesas de debates, lançamentos de livros, bate-papos ao vivo e muito mais acontecem na plataforma digital da Virada. Para acompanhar, basta acessá-la e entrar na sala temática FlinkSampa.

1º dia – 19/11 (quinta-feira)

Mesa “Vozes africanas: território e testemunhos”
Das 15h às 16h
Participantes: Vera Duarte Pina (Cabo Verde) / António Quino (Angola) / Tom Farias (moderador, Brasil)
Abordará afinidades das linguagens literárias e pensamentos dos fazedores de literatura no contexto de África hoje. Envolvendo dois grandes nomes dessa diáspora, mas ainda pouco conhecidos no Brasil.

Bate-papo “Ruth Guimarães: centenário de uma escritora negra” e lançamento da edição comemorativa dos 70 anos de “Os Filhos do Medo”
Das 16h10 às 17h
Participantes: Joaquim Botelho Guimarães (filho de Ruth) / Conceição Evaristo (Brasil) / Tom Farias (moderador)
Através de um depoimento do filho da escritora, também escritor e jornalista como a mãe, e um bate-papo com Conceição, o painel irá situar Ruth Guimarães entre as mais importantes vozes da literatura brasileira contemporânea.

Relançamento do livro “Caixa Preta: um projeto de resgate e valorização dos heróis e heroínas afro-brasileiros”
Das 17h40 às 18h40

Exibição da webbiografia “Ruth Guimarães: centenário de nascimento (1920-2020)”
Das 18h50 às 19h

2º dia – 20/11 (quinta-feira)

Mesa “Africanidades diaspóricas: identidades”
Das 15h às 16h
Participantes: Ungulani Ba Ka Khosa (Moçambique) / Eliana Alves Cruz (Brasil) / Itamar Viera Júnior (Brasil) / Tom Farias (moderador)
Através das falas de três dos mais importantes escritores da atualidade, a mesa propõe diálogos possíveis em meio a Áfricas, também projetadas deste e do outro lado do grande mar Atlântico. Tantos os brasileiros quanto o moçambicano, são os mais genuínos representantes do momento do ideário da escrita no universo das letras.  

Mesa “Diálogos sobre a escravidão”
Das 16h10 às 17h10
Participantes: Laurentino Gomes (Brasil) / Cristovam Buarque (Brasil) / Flávia Lima (Brasil) / Tom Farias
Abordará a escravidão vista através do olhar de um dos seus mais acurados especialistas e por vozes que mais tem combatido e denunciado o processo do racismo no Brasil.

Mesa “Os nossos bambas das letras”
Das 17h20 às 18h20
Participantes: Martinho da Vila (Brasil) /Paulo Lins (Brasil) / Tom Farias (moderador)
Um bate-papo imperdível sobre o fazer literário com a música, pela escrita e pelas canções.

Mesa “O legado do Machado de Assis Real: literatura e trajetória”
Das 18h30 às 19h30
Participantes: Antônio Torres (Brasil) / Eduardo de Assis Duarte (Brasil) / Tom Farias (moderador)
Mostrará uma faceta nova do ‘Bruxo do Cosme Velho’. A realidade de um Machado de Assis negro, visto por um importante membro da Academia Brasileira de Letras e por um dos maiores estudiosos da atualidade.

Sobre os participantes

  • Vera Duarte Pina

Nascida em Mindelo (Cabo Verde), Vera é jurista e escritora. Formada em Direito, tendo sido a primeira mulher magistrada em Cabo Verde, foi ministra da Educação e do Ensino Superior, juíza conselheira do Supremo Tribunal da Justiça e conselheira do Presidente da República de Cabo Verde. Em 1995, recebeu o Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa, em reconhecimento à sua luta em defesa dos direitos humanos.
Iniciou sua carreira literária em 1993, com o livro de poemas “Amanhã Amadrugada”, e seu primeiro romance, “A Candidata” (2003), recebeu o Prêmio Sonangol de Literatura.

  • António Quino

Escritor e romancista angolano ligado à União dos Escritores Angolanos (UEA), António Quino é autor de a “República do Vírus”. Nascido em Luanda em 1971, licenciado em Ciências da Educação e mestre em Ensino de Literaturas em Língua Portuguesa, António Quino foi co-fundador da Brigada Jovem de Literatura do Namibe. Colaborador regular do Jornal de Angola, O País e O Chá, é docente universitário e membro do Colégio de Estudos Literários do Instituto Superior de Ciências da Educação de Luanda. Publicou também as obras “Conversas de Homens” (2010) e “Duas faces da esperança: Agostinho Neto e Antônio Nobre”, um estudo comparado de 2014.

  • Joaquim Botelho Guimarães

Jornalista, ensaísta e escritor brasileiro assim como sua mãe, Ruth Guimarães, Joaquim é bacharel em Comunicação Social pela Faculdade Cásper Líbero e já trabalhou em importantes empresas de comunicação do Brasil, como Revista Manchete, TV Bandeirantes e TV Globo.
Mestre em Literatura e Crítica Literária pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, presidiu a União Brasileira de Escritores entre os anos de 2010 e 2015. Entre seus livros publicados estão “Imprensa, poder e crítica” (ensaio), “Costelas de Heitor Batalha” (romance) e “O livro de Rovana” (romance). Ainda tem artigos, contos e ensaios publicados em diversos países, como Alemanha, Argentina e Portugal.

  • Conceição Evaristo

Nascida em Belo Horizonte, Conceição Evaristo teve que conciliar estudos e trabalho desde cedo. Aos 25 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou em um concurso público para o magistério e estudou Letras na UFRJ. Na década de 1980, conheceu o grupo Quilombhoje, um coletivo cultural e também editora responsável pela produção da série Cadernos Negros que, ao estrear na literatura, foi o primeiro espaço de publicação de Conceição.
Mestra em Literatura Brasileira pela PUC-Rio e doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense, as obras da escritora, em especial o romance Ponciá Vicêncio (2003), abordam temas como a discriminação racial, de gênero e de classe. Esse seu primeiro romance é foco de diversas pesquisas no Brasil e, em 2007, foi traduzido para o inglês e publicado nos Estados Unidos.

  • Ungulani Ba Ka Khosa

A história de Moçambique, cuja independência de Portugal se deu há apenas 45 anos, é o tema que se destaca em toda produção literária de Ungulani Ba Ka Khosa, pseudônimo de Francisco Esaú Cossa, nascido em Inhaminga (Moçambique), no ano de 1957.
O escritor e professor moçambicano, membro da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) e ganhador de importantes prêmios, tem forte relação com a cultura brasileira. Além de marcar presença em diversos encontros acadêmicos e culturais do Brasil, tem aqui lançadas três obras: a obra de contos “Orgia dos loucos” (1990); o livro infantil “O Rei Mocho” (2012); e, a mais recente, “Gungunhana” (2018 / composto por dois de seus romances: “Ualalapi” (1987) e “As mulheres do imperador”).

  • Eliana Alves Cruz

Jornalista e escritora, Eliana nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1966. É graduada em Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação Empresarial, ocupou o cargo de gerente de imprensa da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos e tem acumulado no currículo a cobertura de 15 campeonatos mundiais, 6 Jogos Pan-Americanos e 6 Jogos Olímpicos.
Na literatura, sua estreia foi com o romance “Água de Barrela”, baseado na trajetória de sua família, desde o século XIX, na África. Vencedora da primeira edição do Prêmio Literário Oliveira Silveira, oferecido pela Fundação Cultural Palmares (2015). Publicou textos nas coletâneas “Cadernos Negros” (Quilombhoje) e “Perdidas: Histórias para Crianças que Não Tem Vez” (Imã Editorial). Atualmente, escreve no site The Intercept sobre temas relacionados ao racismo e à escravidão.

  • Itamar Viera Júnior

Escritor nascido em Salvador, é o segundo brasileiro (junto a Murilo Carvalho) a conquistar o Prêmio LeYa, edição de 2018, com o romance “Torto Arado”. Criado em 2008 por iniciativa do grupo editorial LeYa, o prêmio é um concurso que estimula a produção de obras inéditas de autores de língua portuguesa e, todos os anos, contempla uma obra original de ficção literária na área do romance que não tenha sido anteriormente premiada.
A obra, eleita vencedora por unanimidade pelo júri, foi extremamente elogiada pela solidez de sua construção, o equilíbrio da narrativa e a forma como aborda o universo rural do Brasil, colocando ênfase nas figuras femininas. Itamar tem publicados ainda os livros de contos “Dias” (2012) e “A oração do carrasco” (2017), finalista do 60º Prêmio Jabuti.

  • Laurentino Gomes

Paranaense de Maringá e seis vezes ganhador do Prêmio Jabuti de Literatura, Laurentino Gomes é autor dos livros “1808”, sobre a fuga da familia real portuguesa para o Rio de Janeiro; “1822”, sobre a Independência do Brasil; “1889”, sobre a Proclamação da República; e “O caminho do peregrino” (em coautoria com Osmar Ludovico). O livro “1808” também foi eleito o Melhor Ensaio de 2008 pela Academia Brasileira de Letras e publicado em inglês nos Estados Unidos. Ao todo, suas obras já venderam mais de 2 milhões de exemplares no Brasil, em Portugal e nos Estados Unidos.
Com a grande repercussão dos seus livros, o escritor já foi eleito duas vezes pela revista Época como um dos cem brasileiros mais influentes do ano. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná, tem pós-graduação em Administração na Universidade de São Paulo. É membro titular da Academia Paranaense de Letras.
Atualmente, Laurentino vem trabalhando em sua nova trilogia sobre a escravidão no Brasil. A primeira obra da coleção foi lançada em 2019. Os outros dois volumes estão previstos para os próximos anos, até a véspera do bicentenário da Independência do Brasil.

  • Cristovam Buarque

Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque elegeu-se ao cargo de senador em 2002 e foi reeleito para o mandato 2011-2019. Nascido em Recife, é engenheiro mecânico, economista, educador, professor universitário e político filiado ao Partido Popular Socialista (PPS). Durante seu governo, implantou diversos programas de assistência social, como o Bolsa-Escola, Sistema Nacional de Empregos – SINE, Saúde em Casa, entre outros.
Tem publicados 33 livros, sobre Economia, História, Sociologia e sobretudo Educação. Entre eles, estão três obras infantis.

  • Flávia Lima

Formada em Direito pelo Mackenzie e em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), Flávia Lima é repórter da editoria “Mercado” da Folha de S. Paulo desde 2019. Assumiu o cargo de ombusdman com o objetivo de contribuir com conteúdos que reflitam a variedade da vida social no Brasil. Já passou pelas redações dos veículos Valor Econômico, Bloomberg e Gazeta Mercantil.

  • Martinho da Vila

Cantor, compositor, escritor e músico brasileiro. Na literatura, Martinho tem 13 livros publicados de variados gêneros, desde romances até ficção e literatura musical. Sua publicação mais recente é “Crônicas de Um Ano Atípico” (2018) que reúne 48 crônicas semanais que, com o humor e a leveza usuais do artista, fala de temas de caráter pessoal e também aborda fatos marcantes sociais, culturais e políticos do ano de 2018.

  • Paulo Lins

Filho de pais baianos, Paulo Lins foi morador da favela carioca Cidade de Deus, que lhe serviu como inspiração para a escrita de sua maior obra. Começou como poeta nos anos 1980, como integrante do grupo Cooperativa de Poetas, por onde publicou seu primeiro livro de poesia: “Sobre o sol” (1986). Graduado no curso de Letras, ganhou fama internacional com a publicação, em 1997, de “Cidade de Deus”, adaptado posteriormente para o cinema.
Produziu, por cerca de 14 anos, roteiros para programas de televisão e filmes e, em 2012, lançou a sua segunda obra-prima: “Desde que o Samba é Samba”, que vem servindo de tema para o desenvolvimento de artigos, dissertações e até mesmo teses acadêmicas.

  • Antônio Torres

Oitavo ocupante da cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, Antônio Torres tem dezessete livros publicados. Estreou na cena literária em 1972, com o romance “Um Cão Uivando para a Lua”, considerado revelação daquele ano por causar um grande impacto tanto na crítica quanto no público.
Entre seus livros mais conhecidos figuram os que compõem a trilogia “Essa Terra”, “O cachorro e o lobo”, “Pelo fundo da agulha”, além dos romances “Um táxi para Viena d’Áustria” e “Meu querido canibal”, assim como o livro de contos “Meninos, eu conto”. Com várias edições no Brasil, Antônio Torres vem sendo traduzido em muitos países.

  • Eduardo de Assis Duarte

Professor de teoria literária e literatura comparada da Universidade Federal de Minas Gerais, Eduardo de Assis Duarte publicou estudos sobre Graciliano Ramos e Mário de Andrade. É o autor de “Jorge Amado: romance em tempo de utopia” (1996) e de “Literatura, política, identidades” (2005). É também organizador de “Escritos de caramujo: Machado de Assis afro-descendente” e “Afro-descendências: antologia crítica da presença afro na literatura brasileira” (3 vol.), ambos no prelo. É editor do site literafro.

Serviço
FlinkSampa 2020 – Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra
Data: 19 e 20 de novembro (quinta e sexta-feira)
Onde: Transmissão pela plataforma digital da Virada da Consciência / www.viradadaconsciencia.com.br
Gratuito / Livre

 

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