Vivências dos autores na produção da literatura pauta mesa final da FlinkSampa

A última mesa da FlinkSampa chamou atenção para as vivências pessoais dos autores na produção da literatura preta brasileira. Participaram os autores Lilia Guerra, Rodrigo Santos e Renato Noguera. A mediação foi de Tom Farias.

Lilia Guerra pontuou que a importância das mulheres de sua família em seu processo de escrita. “Continuo captando histórias, anotando o que eu vejo, o que eu ouço, eu sou uma profissional da saúde e a escuta é a primeira coisa que a gente aprende”, afirmou. “Eu venho desenvolvendo essa escuta e procurando inserir nos meus escritos o que eu analiso, vejo, observo. Procuro injetar na literatura as diferenças que eu encontro”.

Essas diferenças são o que fazem a produção única. Rodrigo Santos contou como nunca se sentiu representado pela literatura. “Eu venho de São Gonçalo, uma cidade da periferia do Rio de Janeiro, uma cidade dormitório. A gente sempre forneceu mão de obra e é uma cidade sempre vista por suas ausências, nunca por suas potências. Eu fiz todo o trajeto do filho do pobre pra poder ter segurança pra falar ‘agora eu vou escrever, vou contar as minhas histórias'”, contou.

Já Renato Noguera resgatou o conceito filosófico do mito para explicar essa produção literária. “Os mitos são uma fotografia da condição humana, como a gente ama, nossas emoções, a raiva, o medo, a esperança”, explicou. “Meu percurso de escrita tem relação com esse esforço de escutar um pouco uma voz que habita cada um de nós e no meio disso tudo um repertório africano, de cultura negra”.

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