Pela primeira vez em 25 anos, o Troféu Raça Negra terá uma mulher negra no comando de sua concepção artística. A advogada, empresária e ativista Eliane Dias assume a direção artística da edição de 2025, que celebrará a grandiosidade de Leci Brandão, ícone do samba e da luta antirracista. A grande noite, marcada para 18 de novembro, no Espaço Unimed (SP), promete ser um marco de potência, ancestralidade e inovação.
Eliane Dias, nome de referência no mercado musical (Boogie Naipe), moda (YEBO) e produção de conteúdo (Mano a Mano, Boogie Week), conversou com a gente sobre o Troféu Raça Negra e os desafios de homenagear uma artista do calibre de Leci Brandão. Confira o bate papo com Eliane Dias!
Virada – Como a experiência pioneira de ser a primeira diretora artística em 25 anos de Troféu Raça Negra se conecta com a sua trajetória de liderança e ativismo, e qual o peso simbólico dessa posição para você e para a representação da mulher negra no centro das decisões culturais?
Eliane Dias – Ser a primeira mulher a ser a diretora artística do Troféu Raça Negra em 25 anos, é uma experiência ímpar que acelera o coração. Me sinto acolhida, abraçada em ocupar um lugar que eu nem imaginava. Por ser uma direção criativa, poderia vir com um “rebranding” no Troféu inteiro. Mas, estou colocando minha inspiração nos detalhes e reforçando a importância para o povo negro, para a cultura, para o fundador do Troféu. E tudo está muito, mas muito lindo. Super agradecida.
Virada – Qual é o maior desafio e a maior oportunidade ao traduzir a grandiosidade da homenageada Leci Brandão — um ícone do samba e da luta antirracista — em uma experiência estética e artística que você descreve como “potência, ancestralidade e inovação”?
Eliane Dias – Toda a dificuldade do mundo, retratar Leci Brandão, em um curto espaço de tempo. Já vejo que vai faltar coisa para falar e pode ficar de fora pessoas que não tenho conhecimento da importância na vida dela. Apesar da grande pesquisa, tem muita gente que não lembra quem deve ser citado. Precisaríamos de um evento de mais horas só para ela, um documentário, uma biografia e uma exposição.
Virada – Sua atuação engloba o universo da música (Boogie Naipe), moda (YEBO) e conteúdo (Mano a Mano, Boogie Week). De que maneira essas diferentes frentes de trabalho e sua visão multifacetada como empreendedora e gestora serão integradas na concepção criativa do Troféu Raça Negra 2025?
Eliane Dias – Estou trazendo para o Troféu, minha expertise usada em cada um dos meus negócios.
Virada – Em um evento que visa “fortalecer narrativas pretas” e “construir pontes entre passado, presente e futuro”, quais são os elementos visuais, de design e de experiência que você está desenvolvendo para garantir que a noite de gala seja não apenas uma celebração, mas uma ferramenta de afirmação e transformação social?
Eliane Dias – Tendo em vista que chego bem devagar, não há muitas alterações, mas existem algumas bem significativas, que serão surpresas.
Virada – Qual é o legado que você espera deixar para as futuras edições do Troféu Raça Negra ao assumir este papel, e como a sua gestão criativa inicial visa redefinir ou elevar o padrão da cerimônia para os próximos anos?
Eliane Dias – A princípio o convite é só para este ano. Vou deixar toda a ética, respeito, inovação, criatividade, competência, dedicação e abrir portas para outras mulheres negras. E mais surpresas por aí.